Não confunda absenteísmo com turnover. O primeiro refere-se às ausências temporárias dos colaboradores da sua empresa, enquanto o segundo é um indicador-chave que mede a saída definitiva dos funcionários da corporação.
Qualquer confusão pode impactar negativamente nas suas tomadas de decisão, afinal, gerir uma equipe sem olhar os dados (ou sem observá-los corretamente) é praticamente como pilotar um avião sem ter o painel de controle funcionando.
O que afasta os profissionais de suas funções temporariamente e, principalmente, com frequência? Agora, o que os faz querer deixar o emprego? Cabe a você responder essas duas perguntas, lidando com cada uma delas da melhor forma.
Aprenda mais neste artigo. Então, entre em ação.
O que é o absenteísmo em empresas?
O absenteísmo nada mais é do que o volume de ausências dos colaboradores durante a jornada de trabalho; um índice que engloba faltas, atrasos e saídas antecipadas e que reflete a saúde imediata da operação.
Ao observá-lo, gestores conseguem descobrir pequenos lapsos que acabam gerando uma lacuna preocupante de produtividade, inclusive por sobrecarregarem outros funcionários e encarecerem a hora trabalhada, por exemplo.
Como calcular o absenteísmo?
Seja um cálculo individual ou coletivo, faça o seguinte: some as horas não trabalhadas no período analisado e divida o número pelo total de horas que deveriam ser trabalhadas. Para obter o valor em porcentagem, multiplique o resultado por 100.
Numa equipe:
- Identifique o número de colaboradores e a jornada mensal definida em contrato
- Some todas as horas perdidas (faltas, atestados e atrasos) sem desconsiderar nenhum minuto
- Divida as horas perdidas pelas horas totais esperadas de trabalho
- Multiplique o resultado por 100
Se 10 pessoas, por contrato, precisam trabalhar 160 horas em um mês, você espera o total de 1.600 horas de serviços prestados.
Mas suponha que as ausências dessas 10 pessoas some 80 horas no mês. Nesse caso, o absenteísmo fica em 5% – praticamente uma semana inteira de trabalho que é perdida.
Conhecer o dado vai lhe permitir ir atrás das causas e dos sintomas, agindo corretamente antes que exista um problema maior.
O que é turnover?
Diferentemente do absenteísmo, o turnover é o índice que mede a rotatividade de colaboradores numa equipe ou empresa durante um período preestabelecido.
Ele representa o fluxo de entradas e saídas de pessoas de suas respectivas funções, então, mostra se a empresa consegue ou não reter quem contrata.
Esse índice tem dois tipos: o voluntário e o estratégico. No turnover voluntário, é o colaborador que decide sair da empresa. No turnover involuntário, é a empresa que desliga o profissional.
Entenda cada um deles para identificar:
- Turnover voluntário: problemas no clima, falhas de liderança, falta de plano de carreira ou causas similares.
- Turnover involuntário: falhas no recrutamento e/ou na seleção, falta de alinhamento técnico entre contratado e líder etc.
Como calcular turnover?
Independentemente do tipo, calcule um turnover somando o número de admissões e desligamentos e, em seguida, dividindo o total por dois. Depois, faça uma nova divisão: do resultado final pela quantidade de funcionários ativos na empresa.
Obtenha o índice em porcentagem multiplicando o valor por 100.
Aqui está o passo a passo completo:
- Some as admissões e as demissões do mês ou período
- Divida esse valor por 2
- Divida o resultado pelo número total de colaboradores
- Multiplique o total por 100
Num exemplo em que uma equipe de 50 pessoas tem duas contratações e dois desligamentos, a conta do turnover fica assim: {[(2 + 2) ÷ 2 ]÷ 50} x 100 = 4%.
O turnover passa a preocupar de verdade quando se torna recorrente, crescente ou concentrado em áreas específicas.
Nesses casos, ele deixa de ser um movimento natural do mercado e passa a representar risco direto para a produtividade, o clima organizacional e os custos da empresa.
Comparativo rápido: absenteísmo vs. turnover
Você já sabe que o absenteísmo sinaliza problemas imediatos na rotina, enquanto o turnover é o resultado final de uma falha na retenção, e sabe que ambos são indicadores diferentes, apesar de terem igual importância para a gestão de pessoas.
Agora, já pensou que, ao distingui-los, fica ainda mais fácil perceber como esses dois indicadores podem caminhar juntos?
| Absenteísmo | Turnover | |
|---|---|---|
| O que é? | Ausência temporária (faltas, atrasos e saídas) | Saída definitiva por pedido ou demissão |
| O que causa? | Questões de saúde, riscos psicossociais, problemas de engajamento etc. | Falta de plano de carreira, liderança ruim, cultura fraca etc. |
| Como impacta? | Sobrecarga do time e queda na produtividade | Aumento de custos em rescisões e novas contratações, novos onboardings etc. |
| Como medir? | Horas ou dias não trabalhados | Ciclos de entradas e saídas (mês, ano ou outro) |
Um aumento súbito nas faltas e atrasos pode ser aquele “aviso prévio silencioso”, por exemplo!
Enfim, correlacionar absenteísmo e turnover vai te ajudar a agir preventivamente em vez de só reagir, inclusive focando em manter a continuidade operacional e a saúde financeira do negócio.
Como o RH pode ajudar na redução de absenteísmo e turnover? 7 dicas úteis
Existem diversas alternativas para responsáveis pelos Recursos Humanos transformarem dados em inteligência e estratégica, entre as quais destacam-se:
1. Centralizar informações e monitorá-las com frequência
Isso serve para o RH visualizar padrões que não aparecem no dia a dia e parar de agir somente apagando incêndios.
O acompanhamento semanal ou mensal de indicadores-chave como esses – de people analytics – reduz tanto o absenteísmo quanto o turnover porque permite intervenções rápidas e direcionadas, antes que o problema escale.
2. Melhorar o recrutamento e/ou a seleção
Um processo seletivo bem estruturado reduz drasticamente o turnover precoce, pois a escolha de novos colaboradores deixa de focar apenas em competências técnicas e passa a avaliar aderência cultural, perfil comportamental e expectativas de ambas as partes. Importantíssimo!
3. Fortalecer e capacitar lideranças
A liderança direta é um dos fatores que mais impactam tanto o absenteísmo quanto o turnover, então, quando o RH insiste em investimentos em capacitação, a empresa fortalece e capacita seus líderes para:
- Não gerarem pressão excessiva
- Evitarem falhas de comunicação
- Estarem atentos à desmotivação
- Manter o time engajado
- Reduzir tensões no dia a dia
E atuar preventivamente quando percebem sinais de queda de desempenho.
4. Monitorar o clima organizacional e o engajamento
Quando o clima começa a deteriorar, os primeiros sinais aparecem justamente no aumento do absenteísmo e, depois, no turnover, portanto, o RH precisa monitorá-lo!
Ao realizar pesquisas frequentes e criar canais de escuta ativa, o departamento identifica problemas em tempo de ajustar a rotina, a gestão e a rotina.
5. Fazer mudanças no ambiente de trabalho
Ainda, se o ambiente de trabalho influencia diretamente o comportamento dos colaboradores, quanto mais organizado, seguro e saudável ele for, melhor! Cabe ao RH também alinhar junto aos gestores a estruturação dos espaços, processos claros e condições adequadas.
Pequenas melhorias já fazem diferença!
6. Promover o bem-estar e a flexibilidade
Programas de bem-estar e modelos de trabalho mais flexíveis também atuam diretamente nas principais causas, principalmente, do absenteísmo (estresse, cansaço e conflitos pessoais).
Só que tem outra! Na prática, empresas mais flexíveis conseguem não só diminuir o absenteísmo, mas também se tornar mais atrativas, reduzindo o turnover.
7. Usar tecnologias específicas
Finalmente, mais uma atitude louvável do RH no combate aos altos índices de absenteísmo e turnover está na implementação de plataformas específicas para a gestão de pessoas, justamente para que todas as atitudes catalogadas anteriormente sejam tomadas de um jeito ainda mais fácil e adequado.
Com boas ferramentas, é possível cruzar informações, automatizar análises e agir com precisão. Que tal?
Enfim, cada passo dado levará a um caminho em que as crises ficam para trás e as tendências são antecipadas. E a ajustes contínuos nos processos, não a ações isoladas! Comece hoje.
Deixe seu comentário ou dúvida